Lisboa, 23 de setembro de 2026 – Com o aumento da acessibilidade das ferramentas digitais e da Inteligência Artificial generativa, uma tendência assinalada no mais recente Relatório de Ameaças da ESET, que destaca o avanço de capacidades de IA desenhadas para automatizar a criação de conteúdos falsos e intensificar a engenharia social, a criação e a edição de imagens tornaram-se processos simples, permitindo modificar ou criar de raiz capturas de ecrã (screenshots).
Perante este cenário, a ESET, maior empresa europeia de cibersegurança, alerta para a necessidade de confirmar pagamentos, reservas, reembolsos e outras operações diretamente nos sistemas ou canais oficiais antes de tomar decisões com consequências financeiras, operacionais ou de segurança.
Embora possa servir como ponto de partida ou elemento de apoio numa investigação, um screenshot não garante a realização de uma transação, uma vez que regista apenas o ecrã num dado momento e pode ser facilmente editado ou manipulado.
Impacto nos consumidores
A utilização de capturas de ecrã como única forma de comprovação gera riscos significativos para os consumidores:
- Fraudes em marketplaces e e-commerce: imagens falsificadas podem ser utilizadas para simular transferências bancárias ou sustentar pedidos indevidos de taxas adicionais e reembolsos.
- Roubo de contas: através de engenharia social, as capturas de ecrã são maliciosamente solicitadas para captar códigos de redefinição e permitir o acesso não autorizado a contas pessoais.
- Litígios e disputas: numa contestação com bancos, hospitais, agências de viagens ou outros fornecedores, a captura de ecrã pode não ser aceite como prova suficiente, sendo solicitados elementos adicionais.
- Outros esquemas digitais: o mesmo método pode ser aplicado em fraudes em aplicações de encontros, grupos de investimento, criptomoedas e sites de comércio eletrónico fraudulentos.
Impacto nas empresas
Para o tecido empresarial, a aceitação destas imagens pode comprometer as operações:
- Prejuízos financeiros: a receção de imagens falsificadas pode resultar em pedidos indevidos de substituição de produtos, créditos ou reembolsos.
- Custos operacionais: a análise destas situações exige a consulta de históricos de contas, registos de transações e informações de entrega, aumentando o tempo e os custos das investigações.
- Engenharia social e riscos legais: capturas de ecrã falsas de aprovações de executivos podem justificar pagamentos urgentes ou a divulgação de informação confidencial. Em setores regulamentados, a utilização de informação falsificada em processos de identificação ou registo de clientes pode criar problemas legais.
Recomendações de verificação
Para mitigar estes riscos, a ESET recomenda o cumprimento dos seguintes procedimentos:
Para Consumidores:
- Confirmar a entrada de valores diretamente no site ou aplicação oficial do banco, marketplace ou serviço de pagamento.
- Apresentar elementos originais em caso de contestação, como comprovativos de pagamento ou e-mails de confirmação emitidos pelo sistema.
- Verificar reservas, reembolsos e faturas junto da organização emissora, utilizando canais de contacto oficiais.
Para Empresas:
- Cruzar os dados das capturas de ecrã com os registos dos sistemas de origem.
- Solicitar o encaminhamento dos e-mails ou mensagens originais e integrar sistemas através de APIs para que a organização possa obter registros financeiros e outros dados de fontes oficiais.
- Capacitar as equipas de apoio ao cliente, prevenção de fraude e recursos humanos para não tomarem decisões irreversíveis com base exclusiva numa captura de ecrã.
Em suma, as capturas de ecrã podem servir como ponto de partida para uma análise, mas a confirmação segura de qualquer operação digital exige sempre a validação num canal oficial fora do controlo de quem apresenta a imagem.