5 conselhos que você deve dar a um filho que terá um telefone pela primeira vez

Christian Ali Bravo

Privacidade, confiança, aplicativos, tempo de tela e mais: esses são os temas que você precisa conversar em família antes que seu filho ou filha tenha seu primeiro dispositivo móvel.

Ter um celular pela primeira vez é um momento marcante na vida de uma criança: é o primeiro contato com o mundo digital, de forma quase independente e autônoma. E, claro, isso também representa uma possível exposição a diversos riscos que infelizmente existem na internet e que estão cada vez mais presentes.

Se você é pai, mãe ou responsável e deseja acompanhar esse processo para que essa nova experiência seja positiva e segura, há diversos temas que devem ser compartilhados: quais ferramentas existem para tornar o uso do celular mais saudável, quais são os riscos envolvidos, por que a privacidade é tão importante e quais aplicativos podem ser mais perigosos.

A seguir, confira os 5 conselhos que você deve dar a um filho ou filha que terá um celular pela primeira vez:

  1. A privacidade é muito valiosa

Em tempos em que a vida digital parece ter mais importância do que o que acontece fora da internet, é essencial reforçar com seu filho ou filha o valor da privacidade.

De forma prática, explique que ele ou ela nunca deve compartilhar dados como nome completo, endereço da casa ou da escola, nem fotos com o uniforme e, muito menos, a localização em tempo real. É importante que a criança entenda que, uma vez publicada, essa informação pode permanecer na internet para sempre. Além disso, oriente-a a refletir antes de postar uma foto, comentar em alguma publicação ou compartilhar qualquer conteúdo.

Nesse mesmo contexto, é fundamental que saiba que senhas não devem ser compartilhadas, nem mesmo com amigos ou colegas. Aproveite para incentivá-lo(a) a usar senhas seguras e, se possível, ativar a autenticação em dois fatores nas contas que utilizar.

2. Nem tudo o que se vê na internet é real

Um ponto fundamental para a segurança online é que seu filho ou filha saiba da existência de perfis falsos e dos riscos de interagir com desconhecidos. Essa conversa pode incluir temas relacionados à violência digital, como grooming, ciberbullying e sextorsão, que podem ser graves consequências de interações com pessoas que não são quem dizem ser.

A situação é tão preocupante que a BBC alertou que jogos online com múltiplos jogadores se tornaram um novo ambiente de atuação para os groomers, já que podem se aproximar das crianças por meio de chats e mensagens privadas.

Por isso, é muito importante que tanto adultos quanto crianças conheçam as ferramentas para identificar essas ameaças e, principalmente, que exista um ambiente de diálogo e confiança para que os menores se sintam seguros para falar caso estejam passando por algo assim. Em outras palavras, que possam expressar se estão se sentindo desconfortáveis em alguma situação sem medo de punições ou broncas.

Além disso, é essencial que aprendam a identificar fake news e conteúdos que possam afetar sua autoestima. Para isso, converse sobre como nem tudo o que se vê online corresponde à realidade e muitas vezes, o que é mostrado é filtrado, editado ou até completamente inventado.

  1. Alguns aplicativos não são adequados para a idade dele(a)

É provável que seu filho ou filha queira baixar diversos aplicativos para interagir com os amigos ou aproveitar diferentes tipos de conteúdo online.

No entanto, é importante saber que alguns desses apps foram projetados especificamente para adolescentes mais velhos (entre 13 e 16 anos), seja por questões de privacidade, pela possibilidade de exposição a conteúdos sensíveis ou pela necessidade de maior maturidade emocional para lidar com certas interações.

Nesse sentido, é essencial que a criança compreenda quais aplicativos são apropriados para sua idade e quais devem ser evitados por enquanto. Além disso, é recomendável estabelecer algumas regras básicas para um uso mais seguro, como avisar sempre que quiser instalar um novo app e revisar juntos as configurações de privacidade de cada aplicativo.

4. Um equilíbrio saudável

Esse é um dos temas que pode ser mais delicado de conversar, mas que precisa ser colocado em pauta. Em outras palavras, é essencial definir com a criança horários específicos para o uso do celular, assim como momentos necessários de desconexão.

A proposta é permitir que os menores aproveitem a nova vida digital, mas sem que isso comprometa o sono, a convivência social fora das telas ou até mesmo o rendimento escolar.

Uma boa dica para incentivar hábitos saudáveis nas crianças? Dar o exemplo. É sabido que elas prestam muito mais atenção ao comportamento dos adultos do que às suas palavras. Por isso, o ideal é que toda a família também esteja atenta ao tempo de uso das telas.

5. Eles nunca estarão sozinhos

Esse último ponto está acima de todos os anteriores: é fundamental que os menores saibam (e sintam) que podem recorrer aos adultos sempre que algo no ambiente digital causar dúvidas, desconforto, confusão ou quando simplesmente não souberem como agir.

Da mesma forma, pais, mães e responsáveis devem reforçar que, em hipótese alguma, a criança será julgada pelo que relatar, mas sim acolhida e orientada, sempre dentro de um espaço de escuta e confiança.

É verdade que existem ferramentas, e até funções nativas dos próprios aplicativos, que ajudam a monitorar o uso do celular pelas crianças. No entanto, o mais importante continua sendo o diálogo em família — não como uma forma de vigilância, mas de acompanhamento respeitoso.

Bônus: um grande aliado para os adultos

Uma das principais ferramentas disponíveis para pais, mães e responsáveis acompanharem a introdução das crianças ao uso do celular é o controle parental.

Tanto os aparelhos quanto muitos aplicativos oferecem essa funcionalidade, que permite limitar o tempo de uso, acompanhar o uso de cada aplicativo instalado e até bloquear conteúdos considerados inadequados. No caso da ESET, por exemplo, as soluções já contam com controle parental integrado.

O maior desafio do controle parental é equilibrar o acompanhamento com o respeito ao espaço da criança. Uma boa maneira de implementá-lo é por meio de um acordo prévio com a família, definindo juntos os limites e evitando transformá-lo em uma ferramenta de vigilância oculta. Afinal, como destacamos ao longo de todo este conteúdo, a segurança digital deve ser construída em família, com respeito, diálogo e confiança.