O que são os agentes de IA?

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Christian Ali Bravo

A chegada da Inteligência Artificial já pode ser considerada uma das grandes revoluções da história da humanidade. Com avanços cada vez mais rápidos, suas capacidades e atributos continuam a surpreender (ou assustar) tanto especialistas quanto o público geral.

É nesse vasto campo de possibilidades que surge um conceito relativamente novo: o de agente de IA. A seguir, vamos entender do que se trata, quais são suas principais características e como essas ferramentas podem ser utilizadas, inclusive para fins maliciosos por parte do cibercrime.

 

O que é um agente de IA?

Um agente de Inteligência Artificial é um programa capaz de perceber seu ambiente e, com base nisso, tomar decisões de forma autônoma utilizando modelos de IA.

Ou seja, trata-se de sistemas independentes com a capacidade de raciocinar e agir para alcançar determinados objetivos. Entre suas principais características estão o aprendizado automático e a habilidade de agir de maneira autônoma.

Em outras palavras, é um software que permite aos usuários otimizar e automatizar fluxos de trabalho com alto grau de autonomia e independência.

 

As capacidades de um agente de IA

As funcionalidades de um agente de IA são definidas pelos componentes que estruturam seu software. São eles:

Entrada / Sensores
Permite ao agente obter informações do ambiente ou do usuário: texto, áudio, imagens, dados estruturados e até APIs externas.

Memória
Capaz de armazenar e recuperar informações para embasar decisões. Entram aqui os bancos de dados, memórias vetoriais e episódicas.

Modelo cognitivo
Por meio de modelos de linguagem, redes neurais ou mecanismos de planejamento, o agente interpreta a entrada, analisa o problema e decide como agir.

Controlador ou planejador
É o mecanismo responsável por definir qual ação será tomada, quando e de que forma. Utiliza árvores de decisão, motores de regras, aprendizado por reforço ou fluxos orquestrados.

Atuadores
Permitem que o agente execute ações no mundo digital (ou físico), como acessar APIs, scripts, mecanismos de busca e sistemas externos.

Políticas / Guardrails
Elemento crucial: define o que o agente pode ou não pode fazer. Dá personalidade, impõe limites e regras por meio de prompts, filtros de segurança e diretrizes de negócio.

Atuador de resposta
É a saída do agente: pode gerar linguagem natural, realizar ações em sistemas ou produzir visualizações.

 

Tipos de Agentes de IA

No universo dos agentes de IA, existem diferentes tipos, cada um projetado especialmente para interagir de uma maneira específica, seja com menor ou maior complexidade. Estes são os 5 tipos de agentes de IA:

Agentes Reflexos Simples É a forma mais simples de um agente de IA: baseia suas ações na percepção atual, já que não possui memória nem interação com outros agentes. Como funcionam? Estão pré-programados para realizar ações atreladas a cumprir determinadas condições.

Um exemplo cotidiano? O ar-condicionado de um lar/escritório que liga em uma hora determinada.

Agentes Reflexos Baseados em Modelos Valem-se de sua percepção atual e memória para manter um modelo interno. Isso sim: vai se atualizando à medida que recebe informação nova, mas também se veem limitados pelo conjunto de normas/regras.

Aqui se aplicam os aspiradores robô, que detectam obstáculos e se movem de acordo com eles. Por sua vez, armazenam as áreas que já limparam para não repetir lugares.

Agentes Baseados em Objetivos São agentes que buscam sequências de ação para alcançar seu objetivo: de fato, planejam antes de agir.

O exemplo mais claro é o dos sistemas de navegação, os quais indicam a rota mais rápida para chegar ao destino.

Agentes Baseados em Utilidade Esses agentes escolhem a sequência de ações que lhes permitem alcançar o objetivo, mas ao mesmo tempo maximizar a utilidade/recompensa. São muito úteis em casos em que há múltiplos cenários que alcançam um objetivo, mas se deve escolher o mais ótimo.

Aqui se aplica um sistema de navegação que recomende, por exemplo, o caminho que otimize o consumo de combustível e custo dos pedágios.

Agentes de Aprendizado Esses são os únicos que têm a capacidade de aprender. Como? Através das novas experiências que vai somando à sua base de conhecimentos.

Em nossa vida cotidiana, podemos reconhecer esse tipo de agentes através das recomendações personalizadas em sites de e-commerce, já que podem guardar em sua memória a atividade e as preferências de cada usuário.

 

Como um Agente de IA pode ser Utilizado pelo Cibercrime?

Assim como acontece com qualquer tipo de tecnologia ou ferramenta, tudo depende da intenção com que se utiliza. Os agentes de IA não escapam a essa máxima. De fato, recentemente o MIT compartilhou uma análise na qual afirma que se avizinham ciberataques por parte de agentes de IA.

Em referência a isso, Martina López, que é Security Researcher na equipe do Laboratório da ESET Latinoamérica, analisa: "Os agentes utilizados com fins criminosos poderiam nos levar a ataques automatizados, que podem aprender de seus próprios erros. Assim, poderíamos estar diante de uma campanha de phishing que aprenda qual isca é mais efetiva, segundo a quantidade de vítimas que cai em um ou outro engano".

Nesse cenário, é preciso contemplar que os agentes de IA também poderiam ser empregados na identificação daqueles objetivos vulneráveis, bem como no acesso aos sistemas e o posterior roubo de dados das vítimas. E com outro plus: são muito mais econômicos, comparando-os com o gasto que supõe contratar uma equipe de profissionais para fazer esse trabalho.

Com a capacidade de perceber seu ambiente, raciocinar e tomar decisões em consequência, esses programas podem otimizar diversos processos, mas também se tornar uma ferramenta muito útil para o cibercrime.

A chegada da Inteligência Artificial já pode ser considerada uma das grandes revoluções da história da humanidade. Com avanços cada vez mais vertiginosos, suas capacidades e atributos não param de surpreender (ou assustar) a próprios e a estranhos.

É nesse grande campo de possibilidades que se enquadra um conceito relativamente novo: o de agente de IA. Por isso, a seguir, analisaremos concretamente do que se trata, quais são suas principais características e que utilidades as pessoas podem dar a eles (contemplando também o uso malicioso que o cibercrime pode executar).

 

Conclusões

No Reunião Anual dos Novos Campeões do Fórum Econômico Mundial, realizada em 2024 na China, Xi Kang, que é Professora Adjunta da Owen Graduate School of Management, na Universidade de Vanderbilt, definiu os agentes de IA como "qualquer algoritmo ou modelo impulsionado por IA ou tecnologia relacionada que ajuda as pessoas a fazer previsões sobre o futuro ou a tomar decisões". Outros especialistas os catalogaram como "companheiros ou empregados digitais".

Pelo analisado neste artigo, vemos que o potencial dos agentes de IA aplicado à vida cotidiana é imenso: desde tarefas mais simples a contextos mais complexos. Mas, por sua vez, existe um lado B que não se deve perder de vista: e é o uso malicioso que o cibercrime pode fazer dessa poderosa ferramenta.

Nesse cenário, os agentes de IA representam um fator chave na forma como interagimos com o mundo digital. E graças a seus atributos, abrem um leque de possibilidades para melhorar processos, tomar decisões mais informadas e potencializar até nossas próprias capacidades.

Isso, claro, traz consigo uma responsabilidade ineludível: projetá-los, regulá-los e utilizá-los com consciência, já que como toda grande ferramenta, seu impacto dependerá de quem a utilize e com qual fim.