
Embora pareça um dado inofensivo, ele é fundamental para a nossa vida digital: está vinculado a contas, redes sociais e mecanismos de recuperação de acesso. O que um cibercriminoso pode fazer com o nosso número? O que ele precisa para transformar esse dado em uma ameaça? As respostas, neste artigo.
Nosso número de telefone é uma ferramenta fundamental para nos comunicarmos com os outros: permite falar com familiares, amigos e colegas de trabalho, receber ligações, marcar uma consulta médica, combinar uma entrega, fazer uma reserva, receber informações de bancos, comércios e plataformas, entre tantas outras coisas.
Só que... Embora pareça um dado tão cotidiano quanto inofensivo, na verdade ele está conectado a grande parte da nossa vida digital: contas, serviços de mensagens, redes sociais e mecanismos de recuperação de acesso. Assim, tornou-se um ativo muito valioso e cobiçado pelos cibercriminosos.
Por isso, neste artigo, analisaremos concretamente o que um cibercriminoso pode realmente fazer se conseguir o nosso número, o que ele precisa para transformar esse dado em uma ameaça à nossa vida digital e o que podemos fazer para protegê-lo.
O que um criminoso pode fazer com o meu número de telefone?
Para responder a essa pergunta de forma rápida e concisa, é fundamental saber que, por si só, o número de telefone tem capacidades limitadas.
Ou seja, um atacante não consegue entrar magicamente no celular, ler as suas conversas de WhatsApp ou acessar a conta bancária simplesmente por conhecer o número.
Agora, e é o que desenvolveremos a seguir, o número de telefone pode, sim, servir como ponto de partida para outros ataques e golpes, dada a sua vinculação com o resto da sua vida digital. A saber:
Pode descobrir mais dados pessoais
O número de telefone pode ser uma porta de entrada para informações públicas sobre uma pessoa. Assim, um cibercriminoso pode tentar vinculá-lo a outros dados sensíveis, como o nosso nome, perfis em redes sociais, contas de mensagens, publicações ou outros dados que tenham ficado expostos em algum vazamento.
O objetivo neste ponto não é realizar um ataque concreto, e sim conhecer melhor a pessoa por trás desse número e, assim, preparar um golpe muito mais crível.
Pode tentar enganar você
Este é um risco concreto, pois, se um cibercriminoso souber o seu número de telefone, pode usá-lo para entrar em contato diretamente por ligação, SMS, WhatsApp e qualquer outro serviço de mensagens.
E é aí que entra em jogo a Engenharia Social, pois o atacante pode se passar por um banco, uma empresa, um serviço de entregas, um representante de suporte técnico ou alguém do seu círculo e, assim, tentar enganar você para conseguir:
- Senhas
- Códigos de verificação
- Dados pessoais
- Informações financeiras
- Que você clique em um link malicioso
Fica evidente, assim, que o número de telefone não é o que permite o ataque, e sim o que permite que a conversa comece.
Pode se apoderar de uma conta
Muitos serviços usam o número de telefone para fazer login, recuperar uma senha, verificar a identidade ou enviar códigos de acesso.
Assim, um atacante pode tentar usar o seu número como parte de um processo de recuperação ou de acesso. Vamos apresentar um exemplo cotidiano, sobre o qual o próprio WhatsApp alerta em sua Central de Ajuda, para entender melhor:
Você recebe um código do WhatsApp que não solicitou e, poucos segundos depois, alguém escreve dizendo que ele foi enviado por engano e pede que você o repasse. Qual é a chave do golpe? O código não chegou para que o entreguemos a outra pessoa, e sim porque alguém está tentando se apoderar da conta.
No Brasil, o golpe também costuma começar com números de telefone expostos em sites de anúncios ou em bases de dados vazadas: os golpistas entram em contato pedindo a confirmação de um suposto número de verificação enviado por SMS, que na verdade é o código do próprio WhatsApp. O IDEC reúne orientações sobre o que fazer caso isso aconteça.
Pode ficar com o seu número
É hora de falar do SIM swapping. Do que se trata? O atacante buscará convencer a operadora de telefonia de que é o titular e conseguir que o seu número seja transferido para outro chip. Se conseguir, passará a receber as suas ligações e mensagens.
No Brasil, o golpe também é conhecido como "golpe do chip" ou clonagem de chip. Já explicamos como ele funciona.
Isso muda completamente o cenário apresentado no ponto anterior: o atacante já não está tentando enganar você para que entregue o código, e sim conseguir que o código chegue diretamente a ele.
Até onde um cibercriminoso pode chegar com o seu número de telefone?
Uma coisa é clara: o fato de um cibercriminoso ter o nosso número de telefone não significa que ele possa entrar diretamente nas nossas contas.
Porém... Como vimos, a partir do número de telefone ele pode obter mais informações pessoais, tentar enganar você, se apoderar da sua conta ou ficar com o seu número. Assim, abre-se um leque de riscos e ameaças latentes:
- Acessar a sua conta de e-mail
- Assumir o controle da sua conta de WhatsApp ou de outro serviço de mensagens
- Acessar as suas redes sociais
- Alterar as credenciais das suas contas e serviços
- Usar uma conta comprometida para tentar enganar os seus contatos
- Aproveitar uma conta comprometida para acessar outros serviços
O caso das contas financeiras é ainda mais complexo. Ter o nosso número não significa que alguém possa entrar diretamente na conta bancária, já que existem outros mecanismos de autenticação e controles. No entanto, se o atacante conseguir comprometer elementos suficientes da nossa identidade digital, poderá, sim, tentar avançar também sobre esse tipo de conta.
Por isso, mais do que pensar que "com o meu número podem me hackear", é mais preciso entendê-lo como uma peça que pode fazer parte de um ataque mais completo.
Em resumo: o número de telefone não é necessariamente a chave de entrada, mas pode ser o primeiro dado que permite ao atacante tentar conseguir os demais.
O que um cibercriminoso NÃO consegue fazer só por ter o seu número de telefone?
Para evitar dores de cabeça ou preocupações desnecessárias, também é importante ter claro o que um cibercriminoso não pode fazer, mesmo que conheça o seu número de telefone.
Por exemplo, um cibercriminoso NÃO pode:
- Ler as suas conversas
- Ver as suas fotos e vídeos
- Ouvir ligações
- Saber as suas senhas
- Entrar automaticamente nas suas contas
- Assumir o controle do seu celular
E se eu deixar de usar o meu número?
Há um último cenário que merece atenção: o que acontece com um número de telefone quando deixamos de utilizá-lo?
Acontece que, em alguns casos, os números que ficam inativos podem ser reatribuídos a outra pessoa. E isso pode gerar um risco adicional se ainda existirem contas, serviços ou mecanismos de recuperação associados a esse número.
No Brasil, a Anatel permite que as operadoras reutilizem números desativados, respeitado um prazo de quarentena, e há relatos de novos titulares que passaram a ter acesso a informações do antigo dono em aplicativos como o WhatsApp.
Nesse cenário específico, o problema não está em alguém ter conseguido o nosso número de forma fraudulenta, e sim em esse número continuar associado à nossa identidade digital quando já não está sob o nosso controle.
Por isso, ao trocar de número, é importante atualizá-lo nas nossas contas e serviços e removê-lo dos que já não usamos.
Recomendações para se proteger
Agora é hora de passar às ações concretas que você pode realizar para evitar que o seu número de telefone sirva como porta de entrada para a sua vida digital.
- Nunca compartilhe códigos de verificação.
- Não forneça informações pessoais durante ligações ou mensagens não solicitadas.
- Verifique por canais oficiais qualquer pedido estranho de informações pessoais.
- Revise quais informações pessoais suas estão expostas publicamente.
- Proteja todas as suas contas com a autenticação de dois fatores.