Lisboa, 05 de agosto de 2026 – Os grupos alinhados com a China mantiveram uma elevada atividade de ciberespionagem a nível mundial, através de campanhas influenciadas pelos desenvolvimentos geopolíticos relacionados com os interesses económicos e de segurança de Pequim. Esta é uma das principais conclusões do mais recente relatório da equipa de investigação da ESET sobre grupos de ameaças avançadas, que analisa a atividade registada entre outubro de 2025 e março de 2026.
Na sequência da operação militar dos Estados Unidos na Venezuela e num contexto de instabilidade na região do Golfo, a ESET identificou indícios de que grupos alinhados com a China procuraram reforçar a visibilidade de Pequim sobre acontecimentos marítimos, energéticos e políticos no exterior.
Entre os casos observados encontra-se o FamousSparrow, que visou uma entidade governamental venezuelana ligada a assuntos marítimos, provavelmente com o objetivo de acompanhar a resiliência dos envios de petróleo após a intervenção norte-americana.
A ESET observou também o grupo SteppeDriver a visar uma rede governamental síria. Esta atividade poderá refletir tanto o interesse comercial chinês nos projetos de reconstrução da Síria como preocupações de segurança relacionadas com combatentes uigures presentes no país.
Outro caso destacado no relatório envolve o NegativeGlimmer, associado ao comprometimento de entidades governamentais no Camboja e no Panamá, bem como de uma empresa de inteligência artificial e robótica na Coreia do Sul. Segundo a ESET, este último alvo está alinhado com o interesse continuado de Pequim em tecnologias estratégicas priorizadas pela política industrial Made in China 2025.
“Na Ásia, as campanhas concentraram-se sobretudo em organizações governamentais, indústrias estratégicas e setores tecnológicos avançados”, afirma Jean-Ian Boutin, Diretor de Investigação de Ameaças da ESET.
O relatório mostra como a atividade dos grupos alinhados com a China acompanha de perto os interesses geopolíticos e económicos de Pequim, incluindo energia, rotas marítimas, reconstrução após conflitos e tecnologias avançadas. Governos, infraestruturas e empresas com relevância estratégica continuam, por isso, particularmente expostos a operações de ciberespionagem.