
A imagem de uma celebridade pode valer milhões e os cibercriminosos sabem disso. Nos últimos anos, golpistas têm explorado o carisma e a credibilidade de figuras públicas para aplicar fraudes que combinam engenharia social, perfis falsos, vídeos manipulados e até o uso de inteligência artificial.
O fenômeno não é novo, mas ganhou força com o avanço de tecnologias como deepfake e o uso cada vez mais sofisticado de redes sociais para simular a presença digital de artistas, influenciadores e empresários.
A seguir, conheça cinco casos reais que mostram como esses golpes operam e por que é fundamental estar atento a essas armadilhas digitais.
1. Como golpistas usaram a imagem de Elon Musk para enganar um investidor?
Um investidor perdeu aproximadamente R$ 3 milhões em março de 2021 após cair em um golpe que usava a imagem do bilionário Elon Musk para promover falsos investimentos em criptomoedas. O esquema envolvia vídeos deepfake, anúncios patrocinados e páginas falsas com promessas de altos lucros em bitcoin.
Ele encontrou um desses anúncios no X (antigo Twitter), a promessa era de bitcoins de graça, mas o link direcionava o usuário para um site fraudulento, onde ele realizava os depósitos. A ausência de retorno e a dificuldade para recuperar os valores levaram à descoberta da fraude.
O caso é um exemplo de golpe de investimento com uso de deepfake, em que a confiança do público na figura de Musk é usada como isca.
2. Enrique Iglesias é usado em golpe de romance na Argentina
Na Argentina, uma mulher acreditou estar se relacionando virtualmente com o cantor Enrique Iglesias. Tudo começou depois que ela entrou em um grupo de fãs de Enrique Iglesias em uma plataforma digital, na qual, pouco tempo depois, recebeu uma mensagem privada pelo WhatsApp e manteve conversas durante aproximadamente dois anos. O criminoso utilizava fotos reais, linguagem afetuosa e justificava o sigilo do “relacionamento” com contratos de confidencialidade.
O impostor passou a solicitar dinheiro para supostas emergências como passagens, taxas e envio de presentes. Convencida de que estava ajudando o cantor, a vítima realizou diversas transferências. O caso é um exemplo clássico de engenharia social.
Esse é um típico golpe de romance uma das formas mais eficazes de engenharia social, onde o emocional da vítima é explorado até o limite.
3. Irmã de Sandra Bullock tem identidade roubada em golpe no Facebook
Em outro caso, golpistas criaram perfis falsos no Facebook se passando por Gesine Bullock-Prado, irmã da atriz Sandra Bullock. As contas falsas, com fotos reais e aparência convincente, abordavam fãs da atriz e estabeleciam conversas frequentes. Após conquistar a confiança das vítimas, os criminosos solicitavam dinheiro para “projetos pessoais” ou causas urgentes. O golpe só veio à tona quando relatos chegaram à família da atriz, que se pronunciou alertando os seguidores sobre os perfis falsos.
Essa abordagem é comum em golpes conhecidos como roubo de identidade que utilizam o prestígio de terceiros para solicitar dinheiro.
4. Perfil de Fábio Porchat é invadido para golpe de investimento (em Brasil)
O comediante Fábio Porchat teve sua conta no Instagram, com mais de 6 milhões de seguidores, hackeada em novembro de 2024. Os criminosos publicaram conteúdos falsos promovendo um “investimento garantido” com retorno rápido.
Muitas pessoas, acreditando se tratar de uma indicação legítima, chegaram a transferir dinheiro para os golpistas. A assessoria de Porchat emitiu um alerta público, informando a invasão e pedindo que os seguidores ignorassem as mensagens. Esse caso envolve uma combinação de invasão de conta e uso indevido de imagem, algo que se tornou comum em golpes com celebridades.
5. Criminosos se passam por Brad Pitt e aplicam golpe de quase R$ 2 milhões
Na Espanha, cinco pessoas foram presas por se passarem por Brad Pitt para aplicar um golpe de romance e investimento falso. As vítimas, duas mulheres, acreditaram estar em contato com o ator por meio de redes sociais. Durante os diálogos, os criminosos solicitaram dinheiro para supostos projetos, totalizando um prejuízo de 325 mil euros (cerca de R$ 2 milhões). Segundo as autoridades, o grupo usava até “mulas financeiras” para movimentar os valores entre contas.
Outro caso envolvendo o ator, foi na França, uma mulher foi vítima de um golpe no qual se passavam por Brad Pitt utilizando inteligência artificial. Ela perdeu 850 mil euros em uma fraude que começou no Instagram, quando foi contatada por alguém que afirmava ser a mãe do ator. A partir daí, começaram a chegar os pedidos de dinheiro.
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Conclusão
A escolha por usar o nome de uma celebridade não é por acaso. Pessoas famosas transmitem autoridade e confiabilidade, e isso cria um atalho psicológico que reduz a desconfiança natural. É a base da engenharia social, técnica amplamente usada por cibercriminosos para manipular decisões.
• Desconfie de pedidos de dinheiro, mesmo de perfis verificados: Contas legítimas podem ser invadidas, e criminosos se aproveitam da credibilidade desses perfis para enganar seguidores.
• Verifique URLs e nomes de usuário com atenção: Golpistas usam endereços e arrobas muito parecidos com os reais, mudando letras ou adicionando símbolos.
• Evite clicar em links recebidos por mensagens privadas, e-mails ou comentários, mesmo que pareçam legítimos: Sempre acesse sites digitando o endereço direto no navegador.
• Use autenticação em dois fatores (2FA): Além de proteger suas contas, isso dificulta que você mesmo seja vítima de invasões.
• Mantenha dispositivos atualizados e utilize soluções de segurança confiáveis: Um bom antivírus pode detectar sites fraudulentos, tentativas de phishing e arquivos maliciosos.
• Pesquise antes de investir ou fazer transferências: Desconfie de promessas de lucros fáceis, especialmente quando associadas a nomes famosos.
• Denuncie perfis e páginas suspeitas: As plataformas contam com sistemas de moderação que precisam da colaboração dos usuários para agir com agilidade.
Golpes que usam celebridades não são meras curiosidades: são crimes digitais com vítimas reais e perdas financeiras que ultrapassam milhões. Ao se informar, você se protege e ajuda a evitar que outras pessoas caiam em armadilhas digitais.