Grupo de ciberespionagem alinhado com o Vietname foca-se em alvos internos, revela ESET

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Lisboa, 25 de junho de 2026 – A equipa de investigação da ESET, maior empresa europeia de cibersegurança, identificou uma mudança no padrão de atuação do OceanLotus, grupo de ciberespionagem alinhado com o Vietname, que parece estar a adotar uma abordagem mais seletiva no exterior, ao mesmo tempo que reforça o foco em alvos internos.

A conclusão resulta da análise de atividades do grupo entre 2024 e 2026, período em que os investigadores da ESET identificaram duas campanhas distintas: uma operação prolongada contra uma empresa vietnamita de construção de infraestruturas e transportes e um ataque à cadeia de fornecimento através da plataforma FireAnt MetaKit. Uma plataforma amplamente usada por investidores no mercado bolsista vietnamita.

Segundo a empresa europeia de cibersegurança ESET, a primeira campanha começou em meados de 2024 e prolongou-se até janeiro de 2026. A segunda teve início no final de 2025 e decorreu até março de 2026. Neste último caso, o grupo comprometeu o servidor de atualizações da plataforma FireAnt MetaKit e substituiu atualizações legítimas por software malicioso.

Apesar do potencial impacto alargado deste tipo de operação, a ESET observou apenas um número reduzido de alvos efetivamente comprometidos, o que sugere uma seleção criteriosa. Para os investigadores, este dado reforça a hipótese de o OceanLotus estar a privilegiar operações mais direcionadas e com objetivos específicos.

"O que os dados mais recentes mostram é que o OceanLotus continua ativo e tecnicamente sofisticado, mas com um padrão de atuação mais seletivo do que no passado. Essa combinação entre persistência, adaptação e foco torna o grupo particularmente relevante de acompanhar", afirma Ricardo Neves, Responsável de Comunicação da ESET Portugal.

A ESET considera que esta evolução poderá estar relacionada com desenvolvimentos recentes no cenário interno do Vietname, nomeadamente o reforço das campanhas anticorrupção conduzidas pelas autoridades. Neste contexto, os investigadores admitem que o aparelho de segurança vietnamita possa estar a dedicar mais recursos à monitorização interna, incluindo em áreas ligadas à atividade económica e financeira.

O OceanLotus, também conhecido como APT32, é um grupo de ciberespionagem associado há vários anos a interesses do Estado vietnamita. Segundo a telemetria da ESET, a atividade atribuída a este grupo remonta, pelo menos, a 2012. Ao longo do tempo, o grupo tem visado sobretudo a China e países do Sudeste Asiático, com particular foco no Vietname, tendo sido associado a operações que vão desde campanhas alargadas de recolha de informação até ataques altamente direcionados contra ativistas vietnamitas dos direitos humanos.

Para mais informações sobre o OceanLotus e a sua campanha mais recente, consulte o mais recente artigo da ESET Research, “OceanLotus: From external espionage to domestic targeting”, em WeLiveSecurity.com.