Nova ameaça Android permite controlo remoto do dispositivo, alerta ESET

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Lisboa, 18 de junho de 2026 – A ESET alerta para um novo cavalo de Troia de acesso remoto para Android que combina campanhas de phishing, lojas de aplicações falsas e capacidades de controlo remoto do dispositivo, designado por BTMOB. Ao contrário de muitas ameaças em dispositivos móveis focadas apenas em credenciais bancárias, o BTMOB permite aos atacantes recolher dados sensíveis, capturar atividade no equipamento e assumir o controlo do telemóvel à distância.

Segundo a análise da empresa de cibersegurança europeia, a ameaça foi recentemente identificada em deteções no Brasil, mas o seu potencial vai muito além desse mercado. O BTMOB destaca-se por ser distribuído com uma ferramenta que permite criar ficheiros de instalação de aplicações Android (APK) maliciosas, gerando novas variantes e adaptando rapidamente os esquemas de phishing a diferentes países, sem necessidade de conhecimentos avançados de programação.

Como acontece?

A infeção começa, em regra, com engenharia social. As vítimas são encaminhadas para sites de phishing que se fazem passar por serviços conhecidos, como plataformas de streaming, mineração de criptomoedas ou outras ofertas digitais. A partir daí, são levadas a lojas de aplicações falsas, desenhadas para imitar repositórios legítimos, onde acabam por descarregar o ficheiro malicioso.

Uma vez instalado, o malware tenta obter acesso alargado ao dispositivo, abusando dos Serviços de Acessibilidade do Android para ganhar permissões elevadas e executar ações sem interação adicional do utilizador. A ESET sublinha que esta combinação entre distribuição por phishing, personalização rápida e controlo remoto faz do BTMOB uma ameaça particularmente relevante no ecossistema Android.

“O BTMOB mostra como o smartphone pode deixar de ser apenas um alvo de fraude para passar a ser um ponto de controlo do atacante. Quando o utilizador instala uma aplicação falsa e entrega permissões críticas, está potencialmente a expor não só os seus dados, mas toda a atividade que mantém no dispositivo”, alerta Ricardo Neves, Responsável de Comunicação da ESET Portugal.

A ESET destaca ainda que este modelo, em que o malware é vendido ou disponibilizado como um serviço a outros criminosos, reduz a barreira de entrada para atacantes menos sofisticados, tornando este tipo de operação mais acessível e acelerando a circulação de novas variantes. O facto de o BTMOB ser promovido como um produto, com canais de venda e suporte associados, reforça a profissionalização deste tipo de ameaça. 

Como se proteger?

A proteção dos dispositivos móveis começa pela adoção de boas práticas de segurança. As aplicações devem ser descarregadas exclusivamente a partir das lojas oficiais, uma vez que os cibercriminosos recorrem frequentemente a plataformas fraudulentas que imitam repositórios legítimos, como o Google Play.

Ao mesmo tempo, é fundamental manter uma postura crítica perante links não solicitados recebidos por e-mail, aplicações de mensagens, redes sociais ou anúncios online, já que estes continuam a ser um dos principais vetores de ataque.

Para reforçar esta proteção, a utilização de soluções de segurança para dispositivos móveis deve fazer parte da rotina de utilizadores e organizações, contribuindo para reduzir riscos e proteger informação sensível num cenário de ameaças cada vez mais sofisticadas.