Guerra no Irão aumenta ciberpressão sobre alvos israelitas

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Lisboa, 17 de junho de 2026 – A guerra no Irão, iniciada no final de fevereiro de 2026, coincidiu com mudanças significativas na atividade de cibergrupos alinhados com o regime iraniano e com um aumento das operações dirigidas contra organizações israelitas. A conclusão é do mais recente relatório da equipa de investigação da ESET, sobre os grupos de ciberespionagem e ameaças avançadas.

De acordo com a investigação, este período coincidiu com uma redução da atividade dos grupos iranianos mais estabelecidos, muito provavelmente devido às restrições de internet impostas pelo regime. Ainda assim, a ESET identificou sinais de mobilização de grupos que atuam em apoio de interesses iranianos, bem como de hacktivistas, com atividade dirigida sobretudo contra organizações em Israel, mas também contra os Estados Unidos e outros países considerados hostis por Teerão.

A investigação documenta ainda um aumento invulgar de atividade contra entidades em Israel que a ESET não conseguiu associar, com confiança suficiente, a grupos anteriormente conhecidos. Entre os casos observados, a empresa destaca duas operações, designadas Rusty Boots e MoKhargosh, que monitoriza separadamente, mas que ainda não conseguiu ligar com confiança a atores já identificados.

No caso do Rusty Boots, os investigadores identificaram ataques contra fabricantes de dispositivos em Israel com malware concebido para inutilizar sistemas. Já o MoKhargosh foi associado a uma operação prolongada contra organizações israelitas, com mais de 130 sistemas comprometidos e ferramentas destinadas à recolha de informação, mas que incluíam também capacidades destrutivas, aparentemente mantidas para eventual utilização posterior.

“O que este período mostra é que os conflitos armados continuam a ter reflexo direto no ciberespaço, seja através de operações de espionagem, seja através de ferramentas concebidas para causar disrupção e destruição”, afirma Ricardo Neves, Responsável de Comunicação da ESET Portugal.

O relatório refere ainda uma terceira operação, designada MOØN Badr, associada a uma campanha altamente dirigida contra três vítimas em Israel no início de 2026. Embora tenha tido uma escala reduzida, a ESET considera esta atividade relevante por confirmar a continuidade das operações dirigidas a organizações localizadas em Israel durante este período.

Para a ESET, esta evolução mostra que a ciberatividade ligada ao Irão não desapareceu com a redução dos grupos mais tradicionais. Pelo contrário, o contexto de guerra poderá ter favorecido a ação de grupos que atuam em apoio de interesses iranianos, hacktivistas e operações ainda sem atribuição definitiva, combinando recolha de informação com ferramentas capazes de causar danos a alvos estratégicos.