O perigo do seu filho ver nos chatbots um "amigo"

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Lisboa, 11 de março de 2026 – À medida que a inteligência artificial (IA) ganha espaço no quotidiano digital, cresce também a utilização de chatbots por crianças e jovens. Perante esta realidade, a ESET, empresa europeia de cibersegurança, alerta para os riscos que estas ferramentas podem representar para a privacidade, a segurança digital e o bem-estar emocional dos menores. Ferramentas como o ChatGPT fazem parte da rotina de milhões de utilizadores em todo o mundo, incluindo crianças e jovens. Em Portugal, esta tendência é particularmente evidente: um estudo recente de uma faculdade portuguesa* indica que quase 9 em cada 10 crianças e jovens entre os 9 e os 17 anos já utilizam inteligência artificial, sendo que 85% recorreram a estas ferramentas no último mês. Apesar dos benefícios educativos e criativos que a tecnologia pode oferecer, a sua utilização frequente e sem supervisão pode levantar preocupações relevantes ao nível da segurança, da privacidade e do desenvolvimento emocional.

Quando a IA deixa de ser apenas uma ferramenta

Para muitos jovens, os chatbots tornaram-se uma ferramenta de apoio ao estudo, à pesquisa e à criação de conteúdos. No entanto, em alguns casos, começam também a ser vistos como um “companheiro digital”, a quem pedem conselhos ou com quem partilham preocupações pessoais.

Esta proximidade pode criar riscos psicológicos e sociais. Durante a infância e a adolescência, fases determinantes para o desenvolvimento emocional, existe a possibilidade de crianças e jovens passarem a privilegiar interações com chatbots em detrimento de relações humanas, o que pode contribuir para o isolamento social. Além disso, como muitos sistemas de IA são concebidos para gerar respostas empáticas e agradar ao utilizador, podem reforçar fragilidades emocionais ou amplificar dificuldades que os mais novos já estejam a enfrentar.

Privacidade, desinformação e exposição a riscos digitais

Do ponto de vista da cibersegurança, uma das principais preocupações está relacionada com o tipo de conteúdos e interações a que os menores podem aceder através destas ferramentas. Embora muitas plataformas tenham implementado mecanismos de proteção para limitar conteúdos perigosos ou impróprios, essas barreiras nem sempre são eficazes e podem ser contornadas. A isto junta-se o risco de desinformação. Os sistemas de IA podem gerar respostas incorretas ou enganadoras, apresentadas de forma convincente, o que pode levar crianças e jovens a aceitar informação falsa como se fosse factual e a tomar decisões imprudentes sobre temas sensíveis, como saúde, relações pessoais ou comportamentos online. A privacidade é também uma questão crítica. Os dados introduzidos nos chatbots, incluindo informações pessoais, familiares ou relacionadas com rotinas, escola e localização, podem ficar armazenados pelos fornecedores destas plataformas. Caso esses dados sejam comprometidos, utilizados indevidamente ou acedidos por terceiros, poderão representar um risco real para a segurança das famílias.

Um novo ambiente digital que os pais também devem acompanhar

Neste contexto, os chatbots devem ser encarados pelos pais como mais um ambiente digital a acompanhar com atenção, tal como acontece com redes sociais, aplicações móveis, plataformas de vídeo ou jogos online. A literacia digital, a definição de limites e a supervisão ativa, continuam a ser essenciais para reduzir a exposição a riscos.

"Enquanto empresa de cibersegurança, vemos a inteligência artificial como uma tecnologia com enorme potencial, mas também como mais uma porta de entrada para riscos de privacidade, exposição indevida de informação e confiança excessiva em sistemas digitais. Quando falamos de crianças e jovens, a supervisão e a literacia digital tornam-se ainda mais importantes", alerta Ricardo Neves, Responsável de Comunicação e Marketing na ESET Portugal.

Da preocupação à ação: o trabalho contínuo da ESET

A proteção de crianças e jovens no ambiente digital é uma preocupação contínua da ESET, refletida também no trabalho de sensibilização e educação que a empresa desenvolve junto de pais, escolas e crianças. A iniciativa Safer Kids Online, inclui artigos e guias parentais, materiais educativos para escolas, conteúdos direcionados para crianças e uma área de solução com app gratuita, o que reforça a base prática desta preocupação.

“Esta é uma preocupação que a ESET acompanha há vários anos no âmbito do seu trabalho de promoção da segurança digital de crianças e jovens. Sabemos que, à medida que surgem novas tecnologias, os riscos também evoluem. Por isso, é essencial que os pais combinem diálogo e literacia digital com medidas práticas de proteção, como ferramentas de controlo parental, capazes de limitar o acesso a conteúdos inadequados e de ajudar a acompanhar de forma mais segura a utilização destas plataformas”, acrescenta.

Controlo parental, diálogo e literacia digital

Embora muitas plataformas estabeleçam limites de idade, a verificação nem sempre é rigorosa. Por isso, o papel dos pais continua a ser fundamental e não deve depender apenas dos mecanismos disponibilizados pelas próprias plataformas.

Perante este cenário, a ESET recomenda que os pais acompanhem de perto a utilização de chatbots pelos filhos, definam regras claras, recorram a ferramentas de controlo parental, revejam as opções de privacidade das plataformas e promovam conversas regulares sobre proteção de dados, pensamento crítico e uso responsável da inteligência artificial.

*Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa.